ELE
O prédio estava condenado. Era velho e feio, numa rua escura num antigo bairro industrial. Pintura descascando, pixações.
Boatos de que ali foi um ponto de tráfico, de festas e orgias. Abrigo de mendigos, viciados e gente sem destino. Boatos de que ali houvera um culto.
Gente estranha e taciturna, andavam pelos becos e sombras, á noite as janelas do lugar se acendiam e cantos estranhos vinham de lá carregados pelo vento. As trevas se adensavam e quem pra lá olhasse veria um sinistro brilho escarlate.
Uma noite, um homem bem vestido andava pelo bairro, terno branco, sapatos pretos, gravata vermelha e olhar perdido, como um sonâmbulo. Adentrou o lugar e de lá jamais saiu. Gritos foi o que disseram, não de dor mas de desespero, aos tropeços a gente estranha saiu da casa, ninguém jamais voltou, a porta entreaberta, à noite um brilho fraco quase convida a uma espiada. Um corredor, calças brancas e sapatos pretos estendidos no chão sujo, sangue, vermelho, no final do corredor. Ele espia de volta. Ele convida. Jamais aceite. Corra!
Arte:Stefan Koidl
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