QUANDO O ÓDIO VENCE


 

QUANDO O ÓDIO VENCE - As canoas iam descendo suaves pelo rio. Deslizando silenciosas no entardecer. Dentro os elfos estavam ansiosos, era dia de batismo, de caçada e logo a frente a presa aguardava desavisada.


– Preparar arcos! - a capitã Soranna falava numa voz melodiosa e musical - Disparar!


Flechas voaram e caíram no vilarejo sem aviso, mães lavavam as roupas nos rios, crianças brincavam nas ruas e adultos conversavam sobre deveres e obrigações. Todos caíram iguais perante a chuva mortal.


Logo fez-se o caos. Guerreiros 

pegaram em armas, e se preparam, as canoas chegaram e os elfos saltaram, ansiosos, famintos, bestas sem remorso. Ódio puro nos olhos angelicais.


A verdade é que esse ataque era sem aviso, fora de seu território e sem conhecimento do Conselho. Soranna treinava guerreiros para combater aquilo que fazia do mundo o lugar imperfeito que é hoje, ou seja, todos exceto os elfos.


O vilarejo orc foi um entre tantos nas últimas semanas, uma comunidade simples e isolada que só queria ser deixada em paz. Paz era para os merecedores. No fim o último combatente orc tombou sob a espada da capitã e a cabeça colocada numa lança. 


Os elfos se parabenizaram e falavam de suas lutas, contra mães protegendo os filhos, pais desesperados e crianças com galhos nas mãos. A beleza deles constratava com a feiura de suas almas. Soranna exultava na morte dos imperfeitos. Mais aguardavam rio abaixo. Humanos eram até piores, se espalhavam como ratos.


Nos salões do tempo, aquele dia em que o ódio venceu desencadeou eventos catastróficos, o caos tomou aquele mundo e dele só se ouviria dor e desespero, Soranna morreria sozinha num campo desolado e horrorizada, veria no fim o que de fato o ódio lhe deu. Nada. Esse sempre era o presente dele. Nunca aceite e nunca deixe ele vencer!


Arte: Simon Gocal



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