SORRISO VERMELHO

 


As espadas batiam nos escudos, a correria da batalha e a adrenalina impulsionavam os golpes. De repente uma lâmina resvala o defensor. 


– Não valeu! Só tocou na camisa...- William dizia isso para Owen e logo uma discussão se fez presente.


Sorrateiro, Phillip empunhou sua espada de chamas e apunhalou William pelas costas. Outra discussão. De toda a brincadeira esse foi o mais interessante fato na opinião de Travis. Ele não foi chamado pra batalha, era novo na cidade, meio calado e com cara fechada. A verdade era que Travis estava entediado desde que nasceu. Seu pai dizia que ele só chorou uma vez em toda sua vida de bebê, quando a mãe morreu o amamentando na varanda de casa. 


Ninguém sabe o que houve mas o marido encontrou a esposa morta enquanto Travis sugava o leite que ainda havia no corpo morto e chorava por mais.


Daí pra frente a relação de pai e filho degenerou em resmungos e apatia. Travis era bom aluno pois queria sair de casa o mais rápido possível. Mas era muito ruim com pessoas. Ou elas eram ruins com ele. Não tinha certeza. Entre devaneios se viu numa parte escura do parque. Uma redoma de árvores impedia a luz do sol de iluminar uma espécie de lago seco. Algo se destacava no meio, parecia um galho? Não. Um punho de espada. 


Travis se aproximou e viu ossos, a espada cravada na cabeça descarnada de um azarado e fincada no chão. Travis tocou o cabo, e sua mente se viu num turbilhão, ódio, matança e sangue. A mente infantil dragada e fragmentada. A espada toma conta, olhos vermelhos observam os soldados lutando, um grito impossível pra uma garganta infantil, Travis esquarteja o trio sem dificuldade, pais gritam, tentam deter o menino louco com uma espada. Mais morte. Deleite. Sorriso vermelho pelos dentes cerrados com força, mais chegam. A coisa que não é mais Travis abre os braços e urra. Chuva cai, a terra treme, um enxame de mortos vai de encontro aos vivos. 

Glorioso!!!


Arte:bopchara 

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