ENCONTRO


 

ENCONTRO - Havia morte há muito tempo, ele não sabia dizer o quanto. Era corriqueiro, andava distâncias enormes, de forma rápida, lenta ou mesmo parava por semanas. A forma era fluída, não se cansava, não sentia sede e nem fome. Mas o que era? Não sabia.


Ruínas eram a paisagem usual, ele reconhecia os escombros, reconhecia os corpos, o mundo era quieto, estalos de estruturas abandonadas, ecos da chuva nos telhados, o mar parecia um lago calmo, como se tivesse perdido sua força. Ou sua vida. Nada que encontrava parecia poder ser consertado, até a fazenda, o rio atrás do celeiro, o corpo. Ajoelhado ele examinava seu achado, alguns ferimentos superficiais, quase sem querer seu corpo se embrenhou naquela forma, consertava as partes danificadas e no fim, um brilho no fundo dos olhos apareceu, ela(ele sabia ser ela) piscou, olhou em volta, olhou para ele. E gritou.


O mundo tremeu, uma voz ressoava no ar parado, ele virava a cabeça, curioso. O grito morreu, ela era mais máquina que carne mas se cobriu como pôde. Então, em milênios, houve uma conversa naquele planeta morto.


– Quem é você? O que aconteceu, onde estão todos? — perguntas sem fim. Ele buscou em si o dom da fala há muito esquecido. 


– O que aconteceu e onde estão todos? Posso responder isso, levará tempo, quanto a sua primeira pergunta, chegará o tempo certo para ela também. Uma história seria contada naquele ermo desolado, uma história do mundo e do fim dele e em muito tempo, do futuro dele também...CONTINUA


Arte:Pinterest 



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