INTERMINÁVEL
INTERMINÁVEL - A pele queimava, a fumaça exalava dela. Ela sentia a dor se esgueirando para fora como um verme de uma ferida aberta.
Ela inteira era uma ferida. Há 120 anos perseguia aquela maldita besta. Ela tirou tudo que ela tinha. A vila no interior da floresta, os pais amorosos, o amor ainda jovem e muito mais. Apenas por capricho. Por querer. A raiva mantinha afastada à dor agora. Raiva era uma amiga, conhecida por anos, era sua comida e seu ar. Era ela por inteira.
Ela não sentia vergonha pelos outros corpos, ela fingiu ser amiga, companheira, aturou insultos e desvios de caminho. Mas aprendeu. Era tudo que precisava deles e eles deram sem hesitar.
Quando a hora chegou ela evocou a amizade que eles achavam que compartilhavam, enfeitou a história como sabia que daria certo. Fez-se vítima mas era na verdade o carrasco.
Na luta eles se jogavam na frente da fera para dar-lhe a chance da vitória, quando restava ela e o paladino ela fez o impensável, a espada mágica penetrou na armadura sagrada, era hora, ela escondeu de todos o encantamento, palavras antigas fizeram o metal brilhar uma luz profana, e absorveu aquela alma pura. Finalmente.
Ela foi de encontro a fera, o fogo queimava, a pele derretia, o metal encontrou a escama e a partiu como papel, carne, sangue quente, chamas e urros. Um único grito, dela!
Acabara, sua vida tinha um objetivo, ela fez tudo para alcançá-lo. Agora nada tinha, só a dor e os olhares mortos dos traídos. A dor finalmente explodiu, ela tinha os gritos também. Intermináveis.
Arte:Pinterest
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