ENQUANTO HOUVER VIDA


 

A criança dormia, aninhada em camadas de tecido para protegê-la do frio. Mãos firmes seguravam aquela vida preciosa e atravessavam os ermos a passos rápidos e sem descanso. 


Gotwal era um cavaleiro. Um protetor. Gotwal também era um morto-vivo. Morto há 30 anos na última guerra Hikanen - Jogwal. Gotwal morreu defendendo o portão do castelo Salusa contra a horda Jogwana. Seu heroísmo era celebrado em estátuas e livros.


Agora seu corpo morto andava pela noite carregando o último descente ao trono Hikanen. A Rainha Agwalla, ao ver que os invasores retornaram, e agora com poderes demoníacos cedidos pelo pacto com o demônio Horú apelou para seu passado de feiticeira negra. Boatos de que o próprio casamento fora fruto de artimanhas mágicas corriam entre a nobreza e a população. 


Tudo mentira, o Rei Kavon apenas se apaixonou pela mulher que não lhe dava bola por ser rei. Não queria seu dinheiro pois a natureza lhe dava o que precisava e por ela tratá-lo como um homem apenas. A única artimanha foi a paixão avassaladora e o amor que Agwalla acabou sentindo pelo monarca idiota, insistente e desastrado quando estava com ela. O filho apenas coroou esse encontro único do destino.


Agwalla vendo a derrota iminente foi as catacumbas heróicas e invocou Gotwal de seu descanso, fez o cavaleiro jurar que enquanto houver vida no príncipe ele protegeria o futuro libertador de Hikanen. 


Gotwal mal lembrava da fuga do palácio em chamas e a luta contra os soldados corrompidos. Agora seguia a Leste para o reino de Ivireen. Lar da antiga raça de Fin, uma carta da rainha garantia estadia e treinamento para o príncipe. Gotwal seria um protetor distante, sempre vigiando o príncipe até sua hora de retomar o que era seu. Um guardião incansável, incorruptível e eterno. A jornada seria longa, o bebê se aninha nos braços sem vida, o vento apaga as pegadas do morto-vivo. O futuro segura a respiração...


Arte:Berserk CCG


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